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Atenção básica carece de profissionais com excelência e boa capacitação

Especialistas do setor debateram assuntos relativos à formação médica durante Fórum Brasil Saúde; necessidade de recertificação também foi discutida

Na tarde de 3 de maio, durante o Fórum Brasil Saúde, especialistas do setor estiveram reunidos em uma mesa redonda sobre formação médica no ecossistema de saúde. Na ocasião, temas de alta relevância para a qualificação profissional e a melhoria da assistência foram enfatizados como, por exemplo, a necessidade de direcionar médicos altamente capacitados para a atenção básica e a importância da certificação e recertificação em medicina.

Participaram do encontro José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) e Giovani Guido Cerri, presidente do Conselho do Instituto de Radiologia (InRad) do HCSP.

O debate percorreu diversas nuances da formação médica, já que, assim como a saúde de forma geral, o ensino da medicina evoluiu consideravelmente ao longo das últimas décadas. A questão é que essa evolução trouxe melhorias, mas também novos entraves. “O conhecimento médico se expandiu e a especialização se acentuou, obrigando o médico a ampliar sua formação para que continuasse a ser um bom médico. Paralelamente, essa evolução, muito envolta em tecnologia, acabou por promover um certo afastamento entre médico e paciente. É preciso reestabelecer essa relação tão valiosa”, declarou Cerri.

E, talvez por conta desse foco em especialização, os médicos da atenção básica acabaram ficando para trás, como comenta Fernandes. “Temos de formar bons médicos para a atenção básica. Hoje o profissional que vai para as UBS, por exemplo, não são os melhores formados. Muitos deles não puderam fazer nem mesmo a residência, ou seja, são médicos com carência de formação sendo que é nessa primeira etapa de atendimento que deveríamos ter os melhores médicos sabendo utilizar o valioso instrumento gratuito que é a anamnese”, disse.

Para o representante da AMB, um bom médico da atenção básica é aquele que sabe examinar um abdome, auscultar pulmão e coração, conversar com o paciente e tem boas noções de clínica cirúrgica, medicina interna, pediatria e todas as 55 especialidades registradas no país. A ausência de bons profissionais na atenção básica pode estar relacionada à falta de valorização do sistema a esses profissionais.

Tecnologia e revolução digital

Com a pandemia de covid-19, a saúde digital ganhou muita força e pessoas que nunca tinham vivenciado uma teleconsulta passaram por atendimentos virtuais. Assim como qualquer mudança de conduta, essa “novidade” exige adaptação. “Para realizar uma teleconsulta, o médico precisa estar preparado, sabendo como se comportar, manter o diálogo, cuidar da prescrição e da atualização do prontuário do paciente”, enfatizou Cerri.

Ao mesmo tempo, por meio do ambiente digital o médico também pode aprender e melhorar sua formação. Durante a pandemia de covid-19, devido à grande demanda por profissionais atuantes em ambientes críticos, surgiu a TeleUTI, projeto que capacita, remotamente, profissionais para prestar assistência nas unidades de terapia intensiva.

Na visão de Cerri, esse é um dos assuntos de maior relevância. “Eu diria que a saúde digital é o maior transformador da saúde da próxima década”, pontuou. Por coincidência, essa mesa redonda foi realizada horas antes da Resolução CFM nº 2.134/2022, responsável por regulamentar a telemedicina, entrar em vigor.

Demografia médica no país

É notável o aumento dinâmico da quantidade de faculdades de medicina no país. De acordo com o Ministério da Educação, em 20 anos o número de escolas de medicina triplicou no Brasil, chegando, em 2018, a 323 cursos disponíveis. Muito se debateu sobre a qualidade desses cursos atrelada, também, à potencial demanda crescente por profissionais. Na visão de Fernandes, é duvidosa a ideia de que os brasileiros precisam de mais médicos.

“De acordo com o último censo do CFM tínhamos, em 2020, 540 mil médicos no país. Naquele mesmo ano, formamos mais 35 mil médicos. Outros 35 mil se formaram em 2021. Este ano, 4 mil médicos passaram pelo revalida. Por fim, temos mais de 600 mil médicos atuantes hoje no país. Portanto, tenho dúvidas quanto a essa necessidade”, disse.

Cerri resumiu o debate: “o problema é que somos uma nação em desenvolvimento, com recursos tecnológicos escassos, onde se abriram escolas médicas para ganhar dinheiro, e não para formar bons profissionais. Chegaremos rápido a 1 milhão de médicos, mas a que custo?”

Certificação e recertificação

“Certificado de habilitação é uma grande preocupação”, mencionou Fernandes. Para o especialista, que representa a AMB, o exame que é feito para os egressos de medicina formados no país deve ser replicado para quem vem de fora “Não tem que ter o revalida”, insiste.

Amaral concorda sobre a importância da educação continuada e da recertificação. Segundo ele, médico anestesiologista e intensivista, a incorporação tecnológica tem um papel muito relevante nessa necessidade. “Essa revolução digital faz com que muitos dos meus residentes sejam capazes de fazer coisas que eu não sou capaz. Por exemplo: eu me julgava muito bem treinado para realizar bloqueios nervosos e acessos vasculares. Hoje, meus residentes são muito mais qualificados do que eu e eu não me atrevo mais a realizar procedimentos dessa natureza se eu não tiver os recursos tecnológicos adequados e sem alguém mais capacitado do que eu”, declarou afirmando, com sinceridade, que ele teve de limitar suas atividades em função dessa dificuldade e da falta que faz um programa de recertificação constante.

Na visão dos debatedores, em breve, a cobrança por essa qualificação constante virá das próprias instituições de saúde. “Elas não mais aceitarão em seus corpos clínicos médicos sem recertificação, sem habilitação em áreas específicas. Começarão a selecionar bons médicos”, finalizou Fernandes.

Fonte: ABIMO

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