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Talk Show revela os desafios que cada modelo de financiamento de saúde enfrenta no Brasil

Reunidos no Fórum Brasil Saúde, grandes nomes do cenário nacional do sistema de saúde no país são apresentados como heróis

“Sustentabilidade e Modelos de Financiamento na Saúde Pública e Privada” foi o tema do talk show realizado no segundo dia do Fórum Brasil Saúde, evento promovido pela ABIMO dentro da Medical Fair Brasil. Mediada por Francisco Balestrin, a discussão contou com a participação de Paulo Rebelo Filho, diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS); e Edson Rogatti, presidente da Federação das Santa Casas e Hospitais Beneficentes  do Estado de São Paulo (FEHOSP).

Em pontas distintas, os três representam entidades que cuidam diretamente da saúde da população. Os desafios que enfrentam, seja no setor público, privado ou beneficente, são muitos e o cenário futuro não é dos melhores, segundo apontam. Apesar disso, eles persistem – como militantes que também são – e mostram soluções para que o sistema tenha uma melhora.

Destacando que o Brasil possui o melhor sistema de saúde pública do mundo e o terceiro melhor sistema de saúde privada, Balestrin apresentou os convidados chamando-os de heróis. No dicionário, uma das definições para herói é: “aquele que se distingue por seu valor ou por suas ações extraordinárias”. Outra descrição indica: “pessoa que se destaca em relação aos demais”; e por fim: “quem é capaz de suportar situações adversas sem se abater”.

Na plateia, o público presente pode se certificar que a afirmação do mediador é, de muitas maneiras, realista. Os problemas são muitos e não há setor que passe ileso. Na saúde suplementar, por exemplo, em que 25% da população brasileira conta com planos de saúde, os desafios não são apenas pontuais como os vividos durante a pandemia, mas estruturais.

Paulo Rebelo revela que o setor de saúde privada é bem resiliente. Durante o período da pandemia, por exemplo, houve uma baixa e agora, uma recuperação. “Isso mostra o desejo da população de ser bem atendida”, revelou.

Apesar de não depender de fundos governamentais, uma vez que quem paga pelas coberturas são os próprios consumidores ou beneficiários, o setor teve problemas. Paulo explica que um desses reveses foi o aumento dos custos. “Com a pandemia, houve um merecido aumento nos salários dos profissionais de saúde, mas não podemos repassar isso para consumidor final no imediatismo que a situação indicava, nem na totalidade. Este é só um exemplo de um dos impactos financeiros que tem nos atingido numa conta que não fecha”, evidenciou o diretor.

Mauro Junqueira, que está na ponta oposta à Rebelo, trabalhando com o consumidor que depende totalmente do Sistema Único de Saúde (SUS), cita o artigo nº 96 da Constituição Brasileira, que diz: “saúde é um direito de todos”. Ele completa lembrando que também é um dever do Estado e que a responsabilidade é tripartite, ou seja, tanto do governo federal quanto do estadual e do municipal, que, juntos, são responsáveis pelo financiamento da saúde.

“Na teoria, o Governo Federal é o principal responsável por este financiamento, enquanto o municipal deve investir o mínimo de 15% de sua receita na saúde o estadual o mínimo de 12%. Na prática, o orçamento dos municípios para o SUS chega a mais de 25%. Estamos colocando, em média, R$ 35 bilhões a mais do que deveríamos”, assegura.

Ele ainda afirma que os municípios são os que mais pagam, enquanto o governo federal “não investe quase nada na saúde”. A falta de investimentos da União é sentida pela população, que fica sem poder fazer procedimentos importantes. “Em dois anos deixamos de prestar mais de um bilhão de atendimentos ambulatoriais e hospitalares”, revela o presidente do CONASEMS.

Edson Rogatti, presidente das Santas Casas, faz coro à fala de Junqueira e acrescenta: “Os municípios não estão mais aguentando. O Governo Federal repassa a responsabilidade da saúde para as cidades, se esquivando de um encargo que, em maior parte, é seu. Com isso, todos somos afetados”.

As Santas Casas, que em alguns locais do Estado de São Paulo foram 99,9% responsáveis pelos atendimentos de covid-19 e que contam com quase 30 mil dos leitos gerais no país, passam por problemas. “Não teve uma unidade se quer que passou ilesa por essa crise”, afirma.

Ele ainda garante que os hospitais beneficentes estão há duas décadas sem reajuste e lembra que os insumos estão aumentando. “Tem medicamento que aumentou 350% durante a pandemia do novo coronavírus. Está difícil para todo mundo. É um problema de saúde pública direta. O déficit é alto e não sabemos mais até quando poderemos aguentar. Se nada for feito, vamos entrar num colapso”, enfatizou.

Os convidados fecharam o talk show lembrando que apesar dos grandes desafios que enfrentam, estão ali na missão final de cuidar das pessoas. “Defendo o SUS há mais de 30 anos e não faço isso pelos governos, porque eles passam. Faço pelas pessoas que precisam do sistema”, diz Mauro. Já Paulo acredita que a saúde no Brasil pode melhorar. “Os desafios existem, mas se houver diálogo conseguiremos resolver muitos dos problemas que temos”.

Rogatti finaliza, completando a fala dos colegas sobre a importância da comunicação clara e verdadeira entre os agentes públicos e os responsáveis pela saúde no Brasil: “a solução está no diálogo aberto com os governantes e com aqueles que desejam governar, sobre o que o sistema precisa e no compromisso deles em atender à essas necessidades”, conclui.

Fonte: ABIMO

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