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Segurança do paciente e do profissional de saúde requer atenção das instituições

Celebrado em 17 de setembro, Dia Mundial da Segurança do Paciente visa mobilizar pacientes, profissionais de saúde, formuladores de políticas, pesquisadores, redes profissionais e o setor de saúde para defender a segurança do paciente

Em 17 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Segurança do Paciente, por isso a Medical Fair Brasil (MFB) relembra o painel com especialistas do Brasil e do exterior sobre esse tema e que ocorreu durante MEDICALtalks Live. 

O coordenador do Projeto Trabalhador Saudável, Paciente Vivo (TSPV), Mauro Daffre abriu as apresentações falando sobre a Norma Regulamentadora (NR) 32, que estabelece as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores em serviços de saúde. A norma recomenda, para cada situação de risco, a adoção de medidas preventivas e a capacitação dos trabalhadores para um trabalho seguro.

“Fazem 15 anos que a NR 32 foi publicada, portanto, me surpreendeu que nós não estivéssemos preparados ou capacitados para lidar com essa pandemia. Eu acho isso um crime, um profissional de segurança contra ele mesmo, que não tome conhecimento, pelo menos em partes, da NR 32. Isso é o manual para ele poder se proteger. Muito do problema que nós tivemos foi em função da falta de aplicação do que já existia. A COVID-19 mudou em muito pouco, quase nada. A NR 32 prevê tudo isso” afirmou Daffre.

O executivo lembrou que o setor de saúde é o primeiro colocado no ranking de acidentes de trabalho no Brasil, representando 13% do total e questionou como é que pode o setor que cuida da saúde dos outros ser um campeão em acidentes? Os números são de 2018, da única fonte que o país tem, que é a Previdência Social. Os registros de 2020 só estarão disponíveis em 2022. “É quando veremos o horror”, disse Daffre. 

Acidentes com perfurocortantes

A consultora de Educação Clínica, Patrícia Romano, enfatizou que os empregadores têm que elaborar e implementar um plano de gestão e prevenção de acidentes com perfurocortantes, por exemplo, e as empresas que produzem esses materiais também têm que treinar e disponibilizar a captação de todos que irão manusear determinado dispositivo, desde a pessoa que está dentro de uma área de armazenamento, até o transporte desse material, a chegada dele na área de utilização e o uso no paciente. 

“O empregador deve assegurar que todos os profissionais de saúde que utilizam esse material sejam treinados. Outro ponto importante na norma são os EPI's, que no passado os mais importantes seriam luvas, sapatos fechados, máscara e óculos de proteção, e hoje nós estamos vendo que os profissionais tiveram que se adequar à EPI's diversos. Atualmente no mercado temos vários tipos de dispositivos de ação por contato, dispositivos acionados com a mão, dispositivos retráteis muitos muito bons e outros não tão bons. É muito complicado você, dentro de um hospital, ter um consenso de utilização”, destacou Patrícia.

Segundo ela, muitas vezes, a escolha de um dispositivo em uma instituição hospitalar se dá pelo custo que ele representa, e o profissional quando começa o uso acaba não se adequando, porque está habituado a outra técnica e sente a complexidade advinda com o novo. Esses novos dispositivos previnem além do acidente, de uma soroconversão. 

Patrícia apresentou a situação de risco dos profissionais de saúde a partir de dados do sistema de vigilância dos Estados Unidos, que indicam que a manipulação da agulha no paciente tem 27% de acidentes e durante o descarte de perfurocortantes os números atingem 13%. “O que nós vemos na área da saúde é que existe a necessidade de treinamento. Se a instituição vai atualizar um produto, existe a necessidade de treinar e acompanhar esse profissional. Em relação aos profissionais envolvidos, médicos e enfermeiros são sempre os campeões”, afirmou.

A diretora-executiva da International Safety Center, Amber H. Mitchell, abordou as tendências em agulhas nos Estados Unidos, que previnem ferimentos de objetos pontiagudos e exposição mucocutânea, ou seja, aos olhos, nariz e boca. Ela disse também ainda que não se sabe quais serão os impactos que a COVID-19 terá sobre lesões por perfurocortantes em profissionais de saúde. Quanto mais procedimentos estiverem sendo feitos, maior a probabilidade de haver exposição a uma picada de agulha ou a uma exposição de membrana mucosa, e se houver uma exposição de membrana mucosa, esta poderia resultar em soroconversão ou exposição ao próprio coronavírus e à COVID-19.

Ela reiterou que os enfermeiros têm sido grupo profissional de maior incidência com acidentes com perfurocortantes, porque, principalmente eles, estão administrando injeções durante a coleta de sangue, inserindo cateteres IV no paciente, nas salas de exames, mas se está começando a ver agora que os grupos de médicos estão igualmente representados entre o tipo de grupo profissional e isso tem muito a ver com lesões que estão correndo na sala de cirurgia.

Além do papel

Por fim, o consultor em Saúde e Segurança no Trabalho (SST), Edivaldo Gregório, complementou a apresentação dizendo que a área é abordada, infelizmente, por muitas empresas, como uma fábrica de papel. Existem diversas documentações, laudos de insalubridade, periculosidade, plano de gerenciamento de resíduos, entre outros, que as empresas arquivam, como se nunca fossem precisar daquilo e os têm apenas para cumprir o dispositivo legal.

“Dentro da área de SST, precisamos quebrar esse paradigma, minha finalidade aqui é apresentar alguns subsídios para que um tomador de decisão de um estabelecimento hospitalar consiga identificar a importância da área. Deveríamos olhá-la pelo impacto atrelado de não a termos. Temos diversos impactos que podem ser atribuídos a custos, impactos diretos e indiretos. Dependendo da estrutura você vai identificar que o processo de contratação pode custar de R$ 2.000 a R$ 3.000, custo com treinamento, trabalhador afastado”, indicou Gregório.

Segundo ele, a área da saúde, entre 2012 e 2018, teve mais de 378 mil acidentes de trabalho notificados, sem considerar a subnotificação. No mesmo período, houve mais de 40 mil auxílios doença acidentário. A atividade de atendimento hospitalar correspondeu a 9% do total de acidentes de trabalho notificados, ou seja, bastante expressivo.

Assista na íntegra o painel sobre segurança e saúde do paciente e do profissional durante o MEDICALtalks Live AQUI.

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