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Pandemia do coronavírus destaca importância da telemedicina como aliada do sistema de saúde

Pandemia do coronavírus destaca importância da telemedicina como aliada do sistema de saúde

Governo brasileiro autorizou e regulamentou utilização da telemedicina para atendimentos durante crise da Covid-19. Prática também pode ser importante apoio na ampliação do acesso à saúde no país

Há algum tempo a telemedicina já é encarada como uma importante ferramenta para o enfrentamento dos desafios dos sistemas de saúde universais. Realidade em países europeus, por exemplo, recentemente a pauta passou a ser discutida com mais vigor no Brasil. No último dia 25/3, a Câmara dos Deputados aprovou, em sessão remota, projeto que autoriza o uso da telemedicina, definindo a prática como "exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde".

Dias antes, em 23/3, o Ministério da Saúde publicou portaria autorizando e regulamentando o uso da telemedicina para atendimentos durante a pandemia do novo coronavírus. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também já tinha encaminhado ofício ao órgão informando sua decisão de reconhecer a possibilidade do uso da telemedicina no Brasil, também de forma excepcional, enquanto durar a crise da Covid-19.

O Ministério reconhece a possibilidade do uso da telemedicina no “atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico, por meio da tecnologia de informação e comunicação, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como na saúde suplementar e privada”.

Entidade parceria da Medical Fair Brasil (MFB), a Associação Paulista de Medicina (APM) ressaltou que no país, de forma preocupante, a telemedicina parece ainda engatinhar. No campo regulatório, até recentemente a normativa do CFM, em vigor, sobre o tema datava de 2002.

“A resolução recente publicada pelo Conselho autoriza, durante a pandemia, a telemedicina nas modalidades de teleorientação, telemonitoramento e a teleinterconsulta. No entanto, não contemplou uma das mais importantes modalidades, que é a teleconsulta, ou seja, o médico atendendo diretamente o paciente”, ressaltou o presidente do Conselho Curador do Global Summit Telemedicine & Digital Health, organizado pela APM, Jefferson Gomes Fernandes.

Pesquisa  

De acordo com a associação, o atraso, no tempo e no espaço, explica resultado de recente pesquisa realizada por ela com 2.258 médicos, das 55 especialidades. Para 43,76% dos entrevistados, a falta de regulamentação é a grande barreira na utilização de ferramentas de comunicação on-line para assistir ao paciente. Outros 32% entendem que não existem barreiras e dizem que utilizariam as ferramentas.

O estudo evidencia ainda que aproximadamente 64% dos médicos querem uma regulamentação que permita a ampliação de serviços e atendimentos à população brasileira, incluindo a teleconsulta. Já 63% utilizariam a telemedicina como uma ferramenta complementar ao atendimento da clínica/hospital, a partir do momento em que houver uma regulamentação oficial do CFM e com os recursos tecnológicos necessários para segurança e ética da Medicina. Cerca de 25% talvez utilizariam, sem se opor, e aproximadamente 12% não utilizariam.

“A telemedicina tem muitas outras aplicações, que serão objeto da consideração do CFM. Afinal, há um ano tivemos a revogação da resolução anterior sobre o tema. Todas as associações médicas brasileiras e os conselhos estaduais já enviaram sugestões para o aprimoramento da proposta inicial. Imagino que agora é mais do que oportuno que em um esforço concentrado o Conselho Federal se debruce sobre possibilidades da utilização desses recursos tecnológicos em benefício dos médicos e da saúde dos pacientes”, avaliou o presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral.

Perspectivas

“As evidências da literatura científica e do mundo real mostram que a telemedicina aumento o acesso das pessoas aos serviços de saúde, melhoram a resolubilidade dos problemas de saúde, auxilia na organização dos sistemas de saúde e podem reduzir custos”, destacou Fernandes.

De acordo com o médico, o Brasil tem um mercado enorme para produtos e serviços na área da saúde digital, o que inclui a telemedicina. Fernandes acredita ainda que, após a experiência, nesta pandemia do coronavírus, do uso da telemedicina em sua potencialidade e benefícios, não haverá espaço para retrocesso.

Do ponto de vista econômico, a telemedicina se constitui em uma área estratégica por seu potencial inerente de ser fonte geradora de inovações, por demandar e incorporar avanços tecnológicos advindos de outras áreas e, em função da sua natureza interdisciplinar e de suas inter-relações dinâmicas, pela possibilidade de impulsionar diferentes indústrias.

Socialmente falando, a prática também tem o potencial de democratizar o acesso aos serviços de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define telemedicina como sendo a oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde, nos casos em que a distância é um fator crítico. Tais serviços são providos por profissionais da área de saúde, usando tecnologias de informação e de comunicação para o intercâmbio de informações válidas para diagnósticos, prevenção e tratamento de doenças e a contínua educação de provedores de cuidados com a saúde, assim como para fins de pesquisa e avaliações.

“O Brasil oferece oportunidades únicas para o desenvolvimento e aplicações da telemedicina. São condições que somam: a sua extensão territorial – que é enorme, seus milhares de locais isolados e de difícil acesso – a exemplo de comunidades ribeirinhas na Amazônia e a distribuição extremamente desigual de recursos médicos de boa qualidade, entre outras perspectivas que vêm desafiando a efetivação do direito à saúde - universal, integral e equânime”, enfatiza a diretora da MFB, Malu Sevieri.

Experiência

No final do ano passado, cumprindo agenda de visitações a feiras e instituições de saúde na Europa, Malu conheceu o atendimento de telemedicina do Hospital da Luz, em Portugal, conhecido por agregar conhecimento e evidenciar os rumos que a saúde no mundo está tomando.

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Segundo ela, e com base na experiência portuguesa, a ferramenta é um sistema fantástico, que consegue, primeiro reduzir o custo para o paciente, uma vez que a consulta tem valor mais acessível que a consulta física, além de ser mais ágil. No período de uma hora em que o médico atenderia uma pessoa na consulta presencial, no Hospital da Luz ele consegue atender até três pessoas por teleconsulta, tendo a média de cada atendimento de 20 minutos.

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